A secretária de Saúde de Santo Antonio de Jesus, Deise Barbosa, esteve no programa Levante a Voz desta terça-feira (5) para falar sobre a transição e as primeiras ações realizadas pela sua equipe à frente da pasta. Com larga experiência na área, Deise que já foi secretária de Saúde em São Felipe e Maragogipe e subsecretária em Salvador, assumiu a pasta após a desistência do fisioterapeuta Alberto Sacramento, e por esse motivo não integrou a equipe de transição de governo. Confira o que a secretária falou sobre os principais assuntos abordados na entrevista:
Levante a Voz – A Central de Marcação de Exames está funcionando?
Deise Barbosa – Encontramos uma série de problemas estruturais na Central de Marcação. Por exemplo, a parte de fiação telefônica não foi encontrada, a gente precisou reformular a equipe, criar um novo sistema informatizado para as marcações. Nesse mês de janeiro, principalmente na segunda quinzena, nós tivemos um processo de estruturação dessas pendências e agora, em fevereiro, estamos recomeçando os atendimentos. A gente precisa contratar a rede de prestadores, definir as cotas de procedimentos. Mas, a Central já abriu o agendamento para os atendimentos da Policlínica, onde os profissionais já estão atendendo.
A gente ainda está em fase de alimentação do sistema. As pessoas da equipe já foram capacitadas. Vamos ter ainda uma nova fase de capacitação para as Unidades de Saúde da Família (USF’s) e para os municípios que tem pactuação com Santo Antonio de Jesus para que esse atendimento seja feito a partir do sistema direto. Então, o sistema está em fase de implantação. Por enquanto, a Central está fazendo esse agendamento de forma manual. Mas, mesmo nesse período de adequação, a gente tem feito o atendimento do público para orientação. Para as demandas urgentes, a gente tem dado um encaminhamento. Ainda não estamos funcionando plenamente, mas, as pessoas que chegam são acolhidas.
LV – Existe a informação de que no relatório sobre as Unidades de Saúde da Família, preparado pelo vice-prefeito Faustino Cunha, e pelo futuro secretário de Comunicação, Abílio Neto, foi apontado que o município tinha apenas uma autoclave em funcionamento. Essa informação procede?
DB – É verdade. A gente teve essa ajuda do relatório. A gente ouviu também muita coisa aqui pela rádio e temos identificados muitos problemas estruturais. Realmente, apenas uma autoclave estava funcionando regularmente. Há problemas nos imóveis: parte elétrica, vazamentos. Ainda estamos com problema de acúmulo de lixo hospitalar, muitas equipes incompletas.
No primeiro dia que conversei com o prefeito, ele me deu a demanda que queria os postos funcionando sem queixas da população. Então, estamos sanando essas medidas emergenciais. A equipe de manutenção nesses últimos dias está em um trabalho muito árduo, manhã, tarde, entrando pela noite. Já recuperamos 11 unidades de forma emergencial, com equipamentos e a parte física.
Em um segundo momento, a gente precisa avaliar as unidades que funcionam em casas alugadas. Ver se elas atendem as necessidades físicas de uma USF, com o número adequado de espaços, com condições salubres para prestar o serviço. Em alguns casos, como o da Central SAJ que nós já identificamos muitos problemas, nós vamos procurar outro espaço. Então, nessa demanda, estamos com a programação de até o final de fevereiro estar com todas as unidades funcionando.
LV – As equipes de Saúde da Família já estão completas?
DB – Já contratamos enfermeiros, dentistas e 20 médicos para as outras unidades. Esses profissionais já estarão atendendo agora em fevereiro. Estamos com pendência de apenas um médico para a USF do Cocão. Estamos com algumas dificuldades, mas, já temos alguns contatos e a gente espera até o fim da semana fechar essa última contratação e ter todas as equipes completas.
Aí então, vamos revisitar os processos de trabalho. Começar a imprimir a cara da gestão Humberto Leite no serviço de Saúde. Remodelar os processos de trabalho, analisar esses imóveis, buscar casa que atendam à nossa necessidade e buscar investimentos. A gente precisa construir sedes próprias atendendo aos parâmetros do ministério da Saúde. Vamos buscar esses recursos junto aos parceiros, deputados, o governo do estado e o governo federal.
LV – Como ficará o atendimento de cardiologia e fisioterapia pelo município?
DB – A gente está em processo de renegociação com os prestadores. Já tivemos uma reunião com as clínicas que prestavam esses serviços, conversamos algumas coisas, foi colocado que ficou uma pendência de pagamentos da gestão anterior, referente aos meses de novembro, e com alguns prestadores à dezembro. A contabilidade da gestão anterior está sendo finalizada. O pessoal da controladoria vai analisar esses processos para que a gente possa fazer, de acordo com a disponibilidade financeira deixada também pela gestão anterior, a programação de pagamento e paralelo a isto estamos trabalhando as nossas metas para 2013. Sentar com esses prestadores para renegociar contratos, valores de procedimentos. À medida que a gente for finalizando, vamos disponibilizar para a Central fazer as marcações.
DB (em resposta à uma pergunta enviada no intervalo sobre o setor de Raios-X) – O setor de raios-X é do município, mas, utilizava uma sala da 4ª Dires. Nós vamos suspender esse serviço lá e contratar outro até que a gente consiga estruturar o serviço de forma adequada. O serviço lá não tem a menor condição de funcionamento. É um setor insalubre para os funcionários. Sem exaustão, sem ventilação, equipamento com problemas de manutenção. Tem um servidor que trabalha lá que me deixou muito mobilizada. Ele é o verdadeiro “Severino Quebra-Galho”. Ele mesmo dá um jeitinho, faz manutenção da máquina, da processadora, para poder fazer as chapas de raio-x. Então, não existe a menor condição de manter funcionando esse serviço. A gente sabe que a Unidade de Pronto Atendimento terá em sua estrutura uma sala de raios-X, mas, a gente vai avaliar isso, depois.
LV – Em que condições estão as obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h? A senhora já visitou a obra?
DB – A UPA eu já tenho buscado algumas informações como situação do contrato. Eu ainda vou chamar a empresa para conversar. A obra ainda não foi oficialmente entregue pelo município. Nós temos ouvido relato de vários problemas. É uma demanda para 2013. Entregar a obra e colocar esse serviço para funcionar.
LV – Em sua opinião, os profissionais do Serviço Especializado de Odontologia (SEO) devem ser especialistas? Há alguma possibilidade de criar termos o serviço de urgência odontológica 24h no SEO ou na UPA?
DB – No SEO a gente deve ter especialistas, ou profissionais que ao longo da sua vida profissional tenham acúmulo de experiência naquela área. O SEO 24h é necessário. Mas, acho que antes de pensar nisso, a gente tem que pensar em melhorar a oferta do serviço que a gente já tem.
LV – Como está o repasse da prefeitura para o Hospital Maternidade Luís Argolo?
A Santa Casa é uma instituição privada. Existe uma associação muito grande da Santa Casa com a prefeitura e uma consequente atribuição ao prefeito dos problemas do hospital que é uma instituição privada, filantrópica, que presta serviço ao Serviço Único de Saúde. Nós temos um contrato com a Santa Casa, assim como temos com outros prestadores de serviços. A diferença é que a Santa Casa é uma instituição histórica e que tem um contrato com um volume maior de procedimentos e serviços, e por consequência, de recursos financeiros, maior, mas é uma instituição privada.
O contrato com a Santa Casa está em vigor. Estamos aguardando que a Santa Casa envie para a gente a produção e a fatura do mês de janeiro. Então, não temos nenhuma pendência com a Santa Casa. A gestão anterior não efetuou o repasse do mês de dezembro. Mas, isso é uma questão jurídica. Eles estão finalizando a contabilidade deles. Foram apresentados à comissão de transição de governo vários pagamentos que não foram efetuados. A prefeitura está analisando esses processos, a sua legalidade, e assim que a Controladoria emitir o parecer de que esses valores podem ser quitados, a gente vai fazer o pagamento de acordo com a disponibilidade financeira que foi deixada pela gestão anterior.
Então não é uma questão de que o prefeito Humberto Leite tem pendência financeira com a Santa Casa. Isso é um processo da gestão anterior. Quanto ao mês de janeiro, que, aí sim, é nosso exercício, estamos dentro do prazo, aguardando que a Santa Casa envie a fatura do mês. (RBR Notícias)
