Município caminha em busca de
desenvolvimento, todavia, prima pela conservação do acervo arquitetônico e manutenção
de suas tradições Detentora de um
dos mais ricos acervos arquitetônicos, estilo barroco, da Bahia e do Brasil, a
cidade de Nazaré, graças ao pujante comércio de farinha na região, ficou
conhecida nacionalmente como “Nazaré das Farinhas”. Distante de Salvador a 223
km, em trajeto rodoviário ou a 58 km através da BA-001 e travessia pelo sistema
“ferry-boat”, ainda conserva características de uma vida prosaica no seio de
sua população. Berço cultural da Bahia, Nazaré sempre se destacou, também, pela
tradição cultural e religiosa.
Além de centenárias igrejas, o município que comemora em 10 de novembro 164 anos de
emancipação política, tem, indubitavelmente, vocação turística, impulsionada
pelo turismo religioso através da via-sacra, suas igrejas, procissões, bem como
pelos eventos culturais como “Feira dos Caxixis”, manifestações culturais como
capoeira, maculelê, samba de roda, terno de reis, bumba meu boi, São João e
outros eventos. A Via-sacra, construída numa extensão de 1.200m, “conta”, através das estações, integradas por 32
estátuas, a saga do sofrimento de Cristo que, depois de condenado, foi
crucificado, morto e sepultado.
O conjunto arquitetônico da Via Sacra foi
construído na gestão do então prefeito Clovis Figueiredo. De lá até a
atualidade, o poder público vem cuidando, com colaboração dos munícipes, da sua
conservação. No ápice da colina, “contemplando” a cidade, a imagem do Cristo,
num monumento de 15 m de altura por 12
de envergadura, num investimento orçado em R$ 380.000,00. No que concerne ao acervo arquitetônico,
estilo barroco, a Igreja Matriz Nossa Senhora de Nazaré (matriz), criada em
1649 e que levou cerca de 100 anos para ser construída, além da Capela de Nossa
Senhora da Conceição, fundada em 1742, tombada pelo IPHAN (Instituto de
Patrimônio Artístico Cultural).
Compondo, ainda, esse conjunto arquitetônico, o
Cine Rio Branco, construído em 1927, considerado o mais antigo na América
Latina e que se encontra em funcionamento após ter sido “adotado” e
reinaugurado em 2000 pelo penta-campeão mundial Vampeta, renomado jogador de
futebol, nazareno, com brilhante passagem por grandes clubes do país e
exterior, bem como seleção brasileira. O cinema, que foi construído por
Felisberto Ribeiro Soares, em estilo “art nouveau” é um dos poucos ainda existentes
em todo o pais, nesse estilo. A Estação Ferroviária Alexandre Bitencourt, que
também integra o acervo arquitetônico histórico do município, situa-se no
centro da cidade e, hoje, abriga o museu cultural, sediando eventos dessa
ordem, além de cursos e outras atividades que têm por escopo a inclusão
social. Era a estação onde embarcavam e
desembarcavam passageiros que se deslocavam à capital do estado e municípios da
região, na época em que funcionava a “Maria
Fumaça”. O prédio dos Arcos é outra referência de Nazaré.
O município de Nazaré notabilizou-se, também, em
razão da economia gerada pelos engenhos de açúcar que forneciam produtos para a
capital do estado. Houve, naturalmente, um recrudescimento dessa produção com a
extinção da estrada de ferro e a diversificação no seio da economia local
através do implemento às atividades comerciais de produtos diversos.
Erguida ao lado do Rio Jaguaripe, a cidade ganhou
notoriedade nacional. O município chegou a ser considerado um das mais
importantes na área de produção de farinha de mandioca no norte/nordeste e, porque não
dizer, do país, a ponto de ser batizado como “Nazaré das Farinhas”. A famosa farinha de
“copioba”, graças ao sabor e pelo fato de ser “fina”, recebeu essa denominação
em homenagem à comunidade rural do município, onde esse produto era feito de
forma artesanal.
A
tradicional “Feia de Caxixi” constitui, hoje, um dos mais importantes eventos
de exposição e venda de cerâmica do país e que acontece, anualmente, no centro
da cidade, geralmente no mês de abril. Com barracas instaladas no “coração da
cidade”, expositores de Maragogipinho se juntam aos de Nazaré para
comercializarem seus produtos. O evento atrai turistas de toda a Bahia, do
Brasil e, até, do exterior. A administração municipal contribui para a
realização do evento, patrocinando a organização e disponibilização de bandas
para animação do evento que já se tornou centenário. Além de objetos
confeccionados em barro, encontra-se também artefatos confeccionados em palha,
madeira, tecidos, enfim, produtos que deixam aflorar toda uma capacidade
artística reinante no seio da população.
Não se poderia falar de Nazaré sem esquecer a
pujança de sua culinária diversificada. Além das iguarias produzidas pela
população, as que são comercializadas em restaurantes da cidade, em especial as
que dizem respeito aos frutos do mar. Reportando-se aos atrativos turísticos
ligados à natureza, a cachoeira do Roncador que dá forma a queda d’água com cascatas que ensejam
banhos paradisíacos. O Morro do Silêncio é, também um dos locais bucólicos
muito visitado por turistas, propiciando uma visão inigualável.
Nazaré teve início a partir do povoado iniciado no
final do Século XVI, sendo batizado com esse nome por ter se erguido em torno
da capela Nossa senhora de Nazaré, sediada em um antigo engenho de cana de
açúcar. O município só foi emancipado em 10 de novembro de 1849, após ser
desmembrada de Jaguaripe, através da Resolução Provincial 368, sendo elevada à
categoria de cidade.
A cidade de Nazaré desde a época da estrade de
ferro estabelecia o elo entre a capital do Estado, recôncavo e região. Vem se
modernizando e se prepara para ser o “coração” do corredor econômico que está
prestes a se desfraldar na região, principalmente, com a entrada em funcionamento
do Estaleiro do Paraguaçu e a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica.
De olho nessa perspectiva, a administração municipal não vem economizando
esforços para preparação de mão de obra qualificada, preparando, assim, os
jovens para inserção no mercado de trabalho, de forma competitiva.
Nazaré, em que pese estar caminhando de forma
célere para o desenvolvimento, governantes e a população, de mãos dadas, fazem
de tudo para manter, orgulhosamente, o acervo arquitetônico e as tradições que
fazem parte de sua história. Mas esse mesmo povo que cuida de sua história,
continua escrevendo-a, com muita alegria um novo ciclo que, com certeza, fará
com que continue ostentando o mesmo destaque a nível nacional.
gazzeta /Foto Roque Antonio por Mascarenhas
