Afinal, qual a importância da música para a sociedade? Ele é somente entretenimento, simples trilha sonora, que pontua momentos importantes em nossa vida, ou ela pode ter funções além das já mencionadas?
É muito difícil encontrar alguém que não goste de música, pois desde os primórdios, nos utilizamos através do mundo dos sons para expressarmos nossos sentimentos. Assim, ao longo da existência humana encontramos nas mais diversas culturas, a música como objeto de expressão em cantos de trabalhos, cânticos religiosos, manifestações cívicas, populares, cantigas de roda, solenidades militares, etc. É a música como linguagem presente em nosso cotidiano. Isso, por si só, já merece uma reflexão: Sendo a música tão presente e relevante nas mais diversas culturas, ela é apenas fundamental como forma de expressão ou pode ser melhor explorada em nossas escolas públicas?
No Brasil, durante o Estado Novo (1937 – 1945), foi confiado ao reconhecido compositor, Villa-Lobos, a missão de integrar a música ao currículo escolar através do canto orfeônico, que consistia no canto coral como forma de inclusão da linguagem musical nas escolas. Nesse contexto sociopolítico, a prática musical exercia não apenas a função de ensinar rudimentos teóricos de música, mas, sobretudo de despertar o interesse pela música, através do canto, sensibilizando e educando plateias.
É importante ressaltar os aspectos social, político e cultural desse período: O rádio, era o principal veículo de comunicação, tendo uma programação rica e diversificada, onde boa parte dos brasileiros poderia ouvir Dorival Caymmi, Noel Rosa, Ary Barroso, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Caetano e Gilberto Gil, apenas para ilustrar um pouco da desse período de opulência artística. A televisão estreou no início de 1950, com música ao vivo e uma plêiade de artistas nacionais, acompanhados por grandes maestros e orquestras. Então, tínhamos uma programação onde havia educação escolar que fomentava o interesse pela música (ainda que discutível), aliada à programação de comunicação de massa, de acentuada qualidade – em comparação aos dias atuais.
A música brasileira tem uma trajetória brilhante, iniciada com o advento do choro, no Rio de Janeiro, durante a transição do Império para a República. Nesse ínterim, começa a ganhar forma e espaço na sociedade local. Em seguida, o maxixe, nos primeiro anos da República e logo em seguida o samba, na década de 1920. Nos anos 30, tivemos Noel Rosa, Lamartine Babo e a chegada ao Rio de Janeiro de um certo Dorival Caymmi. Já na década seguinte, a chegada de Luiz Gonzaga, foi de vital importância para a cultura nordestina do País, pois foi o primeiro artista a conseguir espaço nos meios de comunicação de massa, expressando a cultura do nordestino, até então desconhecida do resto do Brasil ,através do baião e do xote.
Em 1958, surge a bossa nova, tendo como principais expoentes, o baiano, João Gilberto e Tom Jobim. Nesse período o Brasil vive uma série de transformações tendo Juscelino Kubistchek como presidente do Brasil, alavancando a indústria automobilística e a construção de Brasília, como capital do Brasil. Mesmo com o Golpe Militar em 1964 e anos depois o decreto do AI – 5, surge o Tropicalismo, tendo os baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, como alguns dos principais nome desse movimento. Os anos 60 ficaram conhecidos como a “época dos festivais”, onde uma série de compositores, intérpretes e instrumentistas surgiram para o grande público: Milton Nascimento, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Chico Buarque, dentre outros, além de alguns já citados.
Baseado no contexto mencionado acima, algumas indagações são pertinentes: Atualmente, qual a qualidade da música veiculada pelos meios de comunicação, principalmente rádio e televisão? A quem interessa esse nível de programação? Como são concebidos esses direitos de veiculação de massa e quem são os seus detentores?
Wellington das Mercês é Bacharel em Trompete pela UFBa, Especialista em Metodologia do Ensino das Artes pela UNINTER e Mestrando em Educação Musical pela UFBa.
