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Netinho me impressionava por duas razões: a sua forma responsável e
preocupada como lidava com a sua profissão e seu espírito de aventura. Na
profissão, esse jovem professor aliava o humor contagiante que seduzia a todos
ao conhecimento profundo da sua disciplina. Netinho não era matemático ou
físico. Ele era filósofo na acepção da palavra. Deixou o Mestrado em Fosofia
perto de concluí -lo mas trouxe para o mundo da sala de aula e para a sua vida,
a constante interrogação sobre a vida e o mundo. Netinho era um Cínico. Me
confessou certa ocasião. Um seguidor da escola filosófica conhecida como
Cinismo. E tinha extrema consciência do que dizia. E do que fazia. Desconheço
qualquer apego material de Netinho. Ah tem sua moto...! Bobagem. A moto não era
um objeto. A moto era ele. A velocidade, que para muitos era imprudência, para
ele era oxigênio. Sua terapia era um cigarro Carlton... e o bate papo na
oficina de motos de Hominho. Ali era o seu refúgio. Ali era a base de onde ele
se lançava pra vida. Ali foi a base de onde ele partiu pata a eternidade... Nao
sei se me sinto triste. Aliás, nem sei o que sinto... Nao consegui convencê-lo
de outras fornas de felicidade. A moto era uma extensão do seu corpo. A moto
era sua alma. E juntos, fizeram a última viagem. Causa mortis: LIBERDADE!!!
Uberdan
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