Paz: Rui perde razão para ataques a Neto e ganha faca e queijo para vencer eleição


Uma das ponderações de ACM Neto (DEM) ao avaliar se seria candidato ao governo em 2018 era, basicamente, o fato de ser ele o único nome competitivo da oposição para bater o governador Rui Costa (PT) na tentativa de reeleição. Por isso o desespero da oposição em ter Neto como candidato. Este texto integra o comentário da RBN Digital.

Qualquer outro nome que se apresentar não terá a musculatura política para ser um adversário tal qual ACM Neto pareceria ser. O recuo do prefeito de Salvador – que não chega a ser um recuo, já que o mesmo nunca lançou a própria candidatura – terá impactos ainda difíceis de prever nas eleições de outubro.

É provável que, na expectativa de manter nacos de poder, parte dos liderados dele migre para apoiar Rui Costa ou ao menos orbitar o governo, retirando de si o ônus de estar na oposição. Entretanto, a política é cíclica e nada garante que, em pleitos próximos, a gangorra eleitoral os obrigue a voltar para o mesmo segmento. Diante de um cenário de enfraquecimento da oposição, Rui foi o grande beneficiário da desistência do prefeito ACM Neto.

O fato de possuir a máquina a seu favor já colocava o governador como favorito e, sem um adversário com a envergadura política com que o prefeito de Salvador se apresentava, o governador pegou “a faca e o queijo” para transformar a eleição de 2018 em um lanche fácil de comer. No entanto, um eventual excesso de autoconfiança pode ser o principal inimigo de Rui – assim como o clima de “já ganhou”, que possivelmente vá contagiar os aliados do atual ocupante do Palácio de Ondina.

Não foi esse o tom apresentado pelo governador na primeira manifestação pública após ACM Neto anunciar que permaneceria na prefeitura. Pregou humildade e manteve a calma. Foi assim que o quase adversário se comportou em 2016 quando o democrata se candidatou a reeleição e o modelo pode servir de exemplo.

Para além das lições retiradas a partir desse processo que se arrastou ao longo dos últimos meses, há uma expectativa após tudo isso: o clima beligerante entre governador e prefeito agora não tem mais razão para existir, ao menos do ponto de vista lógico. A não ser, é claro, que haja um masoquismo entre Rui e ACM Neto em se alfinetarem publicamente, algo que não parece ser o padrão de nenhum dos dois.

Se a paz não reinar a partir de agora entre ambos, é melhor desistir de ver a prefeitura de Salvador e o governo da Bahia conviverem republicanamente como entes públicos. Este texto integra o comentário da RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para os rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.