O comando do PT aprovou nesta última sexta-feira (20) os cinco pontos básicos do programa de governo do partido segundo informações da Folha. Apresentado pelo ex-prefeito Fernando Haddad, o documento propõe a reformar o sistema de Justiça "para a garantia de direitos", além da democratização dos meios de comunicação em massa.
O programa prevê também uma "reforma bancária para aumentar o crédito barato às famílias e empresas", bem como a "reafirmação do legado dos governos do PT" e revogação de legislações e privatizações do governo Temer. A federalização do combate ao tráfico de drogas também está entre as propostas.
O partido tem elevado suas críticas ao Judiciário, na esteira de processos envolvendo lideranças petistas na Lava Jato e, sobretudo, da condenação de Lula pela operação. "Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial", escreveu Lula, em artigo na Folha de S.Paulo. O ex-presidente foi preso em abril, após condenação em segunda instância.
O documento ainda não é um programa de governo oficial, apenas traz linhas gerais das ideias do partido --que deve inscrever Lula como seu candidato à Presidência. Para a presidente nacional do PT, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann, essa carta de propostas é uma das mais avançadas feitas pelo partido desde 1989. Embora o texto fale em "democratização da mídia", Gleisi explica que a proposta da legenda será promover regulação econômica dos meios de comunicação.
"É uma proposta superliberal. Todos os países desenvolvidos regulam os seus meios de comunicação. Não é novidade nenhuma. É uma regulação econômica, mas uma proposta bem importante e necessária para o país", afirmou a senadora. Segundo Gleisi, a proposta de reforma no sistema bancário "tem muito a ver com barateamento de crédito, democratização e desconcentração".
Ela disse que o texto não representa uma guinada à esquerda do partido, mas a continuidade de propostas dos governos petistas. Questionada sobre a ausência de temas caros ao mercado nas diretrizes do programa de governo, Gleisi afirmou que o modelo de administração petista já foi testado e agrega responsabilidade fiscal com social.
