Embate entre Ângelo Coronel e Lázaro promete alguma emoção na eleição


O embate eleitoral na Bahia parece que guardou uma disputa interessante para a reta final. Em curva ascendente, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Angelo Coronel (PSD), tende a ultrapassar Irmão Lázaro (PSC) e garantir a segunda vaga ao Senado para a chapa majoritária liderada pelo governador Rui Costa (PT).

Quase desconhecido para uma parcela expressiva do eleitorado no início da campanha eleitoral, Coronel conseguiu se capitalizar eleitoralmente alicerçado, principalmente, nos empurrões dados por Rui e também por Jaques Wagner (PT) ao longo da campanha. Este texto integra o comentário para a RBN Digital.

O resultado é o cenário atual, em que o presidente da AL-BA caminha para conquistar a cadeira na Câmara Alta, ainda que não esteja numericamente à frente do segundo colocado. Coronel, até o momento, construiu bem a estratégia eleitoral. Desde a reta final para a decisão sobre o nome dele na chapa se apresentou como aliado de primeira hora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do grupo político que tem ele como farol na Bahia.

Chegou a promover um ato na Assembleia a favor da liberdade de Lula, o que o tornaria mais próximo da esquerda baiana. E, por mais traumático que tenha sido a exclusão de Lídice da Mata da composição majoritária, não explicitou publicamente haver tensão com a senadora.

Iniciada a corrida oficial, Rui e Wagner, que também é candidato ao Senado, mas possui uma margem expressiva de votos, fizeram um coro relevante para tentar transferir a empatia em torno do nome deles para o presidente da Assembleia.

A lógica do time, que funcionou muito bem nas últimas três eleições baianas, foi novamente colocada em prática e o discurso de que a eleição de Coronel, “casadinha”, é necessária para que o Estado siga “progredindo” colou com a mesma facilidade com que Wagner lançou Rui em 2014.

A favor de Coronel conta ainda a atabalhoada tentativa do principal adversário, Irmão Lázaro, de ser uma candidatura independente da pesada chapa de Zé Ronaldo (DEM). O deputado federal não se vinculou ao candidato ao governo com o qual está coligado, o partido dele criou uma tensão desnecessária na formação da chapa proporcional e Lázaro ainda optou por se atrelar à controversa candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.

Como na Bahia o candidato do PSL não alcança os mesmos índices do restante do Brasil, a associação não garantiu transferência de votos. Soma-se ainda contra Lázaro a postura conservadora e, por vezes, contrária a pautas progressistas – ainda que parte delas seja similar à adotada por Coronel.

A questão é que a estratégia discursiva utilizada pelo deputado-cantor é virulenta e enfrenta resistência em um momento em que os ânimos estão exaltados no plano federal. Coronel, ainda que concorde com alguns temas, prefere ser mais discreto, o que permite dialogar com mais facilidade com a esquerda.

Outro ponto que pode ser considerado tangencial é o flerte de setores da esquerda com a candidatura de Fábio Nogueira (PSOL), a exemplo de Domingos Leonelli, ou com Jutahy Magalhães Jr. (PSDB), como acontece com Marcelo Nilo. Ainda que sejam simulacros de tensionamento, os movimentos parecem muito mais com uma resistência pífia a algo com maior impacto nas urnas.

Coronel chega na reta final deixando em aberto o favoritismo inicial de Lázaro. Mantida a curva dele das últimas pesquisas, o embate entre ambos promete algo que não tivemos até o momento: emoção na eleição da Bahia. Este texto integra o comentário desta quinta-feira (27) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM. Por Fernando Duarte