Setor produtivo se manifesta a Bolsonaro


O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu cumprimentos e recomendações de entidades do setor produtivo ontem. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, por exemplo, falou que a indústria está disposta a contribuir e a dialogar com o novo governo para viabilizar mudanças:
– Não devemos perder a confiança na nossa capacidade de construir um país mais próspero, justo, com educação e saúde de qualidade, segurança pública e equilíbrio ambiental – opinou ele.
Entre as sugestões, o presidente da CNI pediu que Bolsonaro use o capital político das urnas para manter o “teto dos gastos” e prosseguir com a reforma da Previdência. Andrade ainda sugeriu que o novo governo encaminhe uma reforma tributária e faça a unificação dos tributos por meio da criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Outras medidas defendidas foram facilitar o acesso ao crédito e diminuir os custos dos financiamentos. Por fim, Andrade pediu que Bolsonaro trabalhe pela intensificação dos programas de concessão e privatização.
Burocracia
O sistema CNDL, do qual fazem parte a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as Federações das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDLs), as Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), a CDL Jovem e o SPC Brasil, cumprimentou Bolsonaro e pediu pela redução da burocracia e simplificação de processos que envolvem abertura, funcionamento e inovação das empresas.
– Além do mais, é fundamental avançar no desenvolvimento de políticas relacionadas à segurança pública, à infraestrutura e ao acesso a crédito, privilegiando os empreendedores e, consequentemente, toda a sociedade brasileira – diz o comunicado à imprensa da CNDL. 
"“Não teremos dias de facilidade, não; teremos dias de dificuldade e precisaremos estar unidos”
Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil e coordenador da transição, ao prever, em entrevista à TV Brasil, que o novo governo terá um caminho árduo pela frente.  Entre as dificuldades apontadas pelo ministro está a negociação da reforma da Previdência no Congresso, que o governo Jair Bolsonaro pretende iniciar, sob nova forma, somente em 2019. Padilha julga que o período de “lua de mel” entre  o novo presidente da República e o Legislativo, que  ele estima entre 90 e 120 dias, não será suficiente para aprovar um novo modelo de reforma. 
Fortes e fracos
Após a vitória de Jair Bolsonaro no âmbito federal, alguns estados mostraram a alta momentânea do bolsonarismo, e em São Paulo não foi diferente. O candidato derrotado Márcio França (PSB) quase venceu o governador eleito João Doria (PSDB) e pode ser considerado o maior vitorioso do processo eleitoral ao sair de 5% das intenções de voto para 48%. Restará a Doria juntar os cacos dos tucanos, mas já indicou que os caciques não terão vez em sua gestão. Ainda comemorando, correligionários não descartam uma filiação do governador ao DEM. Porém o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pertence ao próprio DEM, agora conectado visceralmente a Bolsonaro. Se Doria quer pleitear o Planalto daqui a quatro anos, precisa ser um bom gestor para lidar com esta sinuca de bico.
Futuro de Haddad
Desde o começo rechaçado pela alta cúpula do PT, o candidato derrotado Fernando Haddad reuniu advogados de Luiz Inácio Lula da Silva ontem em São Paulo para uma reunião onde pediu força extra na estratégia recursal para ajudar o ex-presidente, que está preso em Curitiba desde abril. Haddad falou em “isolamento” de Lula, mas se preocupa com o próprio futuro. Sem cargo eletivo, sem posição de destaque no PT, Haddad é considerado sem perfil adequado para uma liderança no Partido dos Trabalhadores, segundo os antigos filiados. Aí estão Gleisi Hoffmann, Aloísio Mercadante e José Dirceu. Com duas derrotas seguidas, os petistas devem se reorganizar para eleger um novo líder para as próximas eleições municipais.A Tarde