As razões da aproximação de Jair Bolsonaro com o MDB do presidente Michel Temer


Jair Bolsonaro está na vida pública há 30 anos. Passou por diversos partidos, alguns bem conhecidos, que integraram bases governistas dos mais variados governos, como PP e PTB. Mas o capitão nunca foi da cúpula dessas legendas, tampouco ocupou posições de destaque em comissões temáticas da Câmara. Na prática, sempre esteve à margem do jogo político mais relevante dentro do Congresso Nacional.

Em 2018, filiou-se ao pequeno PSL, com o qual venceu a disputa presidencial, ajudando o partido a se tornar a segunda maior bancada de deputados federais na próxima legislatura. Bolsonaro ascendeu com um discurso antissistema, aproveitando-se da crise que atingiu líderes políticos tradicionais em meio aos escândalos da Operação Lava Jato.

Não teve seu nome envolvido em acusações e colocou a agenda de combate à corrupção como uma de suas prioridades. Agora, como presidente eleito, começa a lidar com a velha guarda de Brasília. Na quarta-feira (7), sinalizou interesse em fechar uma aliança com o MDB, um dos maiores partidos brasileiros, além de também ser um dos símbolos do fisiologismo político e de ter ainda alguns de seus líderes, incluindo o atual presidente Temer.

Bolsonaro também já disse que espera a colaboração de Temer com o que for possível. “É bem-vindo [um eventual ingresso do MDB no governo], é lógico que é bem-vindo. Nós estamos formando um ministério bastante técnico” Jair Bolsonaro presidente eleito. “Se for preciso, voltaremos a pedir ajuda a Temer. Porque tem muita coisa que continuará. O Brasil não pode se furtar do conhecimento daqueles que passaram pela Presidência” Jair Bolsonaro presidente eleito.

Nacionalmente, o MDB, que em meio à crise política tirou o “P” do nome, quase sempre está associado ao governo, ocupando cargos-chave na administração. Na Câmara dos Deputados, elegeu 34 parlamentares em 2018. É a quarta maior bancada da Casa. O partido perdeu três dezenas de cadeiras, uma queda que também foi registrada no Senado.

Mas ainda tem um peso político, especialmente num Congresso fragmentado, em que para obter maioria é necessário uma ampla composição com as mais diversas legendas. Os sinais de Bolsonaro com o MDB também foram reforçados a partir de declarações de um de seus filhos, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Ele defendeu que Bolsonaro apoie um nome do MDB para concorrer à presidência do Senado. “O governo tem que conversar com todo mundo que foi eleito. Óbvio que a gente tem de buscar, dentro da possibilidade, qualquer pessoa que seja convergência dentro do Senado” Flávio Bolsonaro senador eleito.

Com o atual Congresso, Bolsonaro já amargou ao menos um revés. Na quarta-feira (7), horas depois de se dizer contrário ao aumento de salário de ministros do Supremo, o Senado aprovou o projeto. O presidente eleito também vem encontrando dificuldades de aprovar parte da reforma da Previdência ainda em 2018, antes mesmo de tomar posse. Informações do Nexo Jornal