Reforma da Previdência não resolve crescimento da despesa do Estado, diz ex-ministro Antônio Delfim Neto


Economista também avalia que PECs enviadas pelo Planalto ao Congresso devem passar por ajustes, mas estão em um caminho certo para melhoria do cenário da economia

[Reforma da Previdência não resolve crescimento da despesa do Estado, diz ex-ministro Antônio Delfim Neto]
Foto : Roosewelt Pinheiro/Arquivo Agência Brasil
Por Juliana Almirante no dia 09 de Dezembro de 2019 ⋅
O economista, professor e ex-ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto, disse hoje (9), em entrevista à Rádio Metrópole hoje (9), que a reforma da Previdência é importante, porque irá reduzir o crescimento das despesas do Estado brasileiro, mas não resolve o aumento dos custos do governo.
"A Reforma da Previdência é muito importante e vai alterar o crescimento da despesa (do Estado) no futuro, mas não resolve o problema de crescimento. Acho que vendemos reforma como espécie de elixir mágico. Ela, na verdade, vai reduzir o déficit da Previdência nos próximos 10 anos, em torno de R$ 800 bilhões. Mas se você olhar a importância disso é, simplesmente, se você establiza um pouco mais a despesa, as despesas não vão reduzir. As despesas vão continar crescendo, mas, em lugar de crescer 50 bilhões por ano, vai crescer 40 bilhões", analisou.
Delfim Neto também acredita que as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) enviadas pelo Planalto ao Congresso devem passar por ajustes, mas estão em um caminho certo para melhoria do cenário da economia. 
"As medidas de Guedes, as 3 PECs que estão no Congresso, estão na direção correta. É claro que precisam de longa discussão no Parlamento. Medidas como essa envolvem exageros que devem ser corrigios, é por isso que o Parlamento existe. Mas acho que a direção de Guedes, o objetivo final, que é tirar o Estado do cangote do setor privado brasileiro, acho que está correto", pontuou.
O ex-ministro ainda acredita que, mesmo com todas as complicações que o Brasil ainda passa economicamente, o setor apresenta sinais de melhora desde o governo do ex-presidente Temer, o que deve continuar na gestão de Jair Bolsonaro.
"Não só eu sinto, como estatísticas revelam, que estamos tendo melhora consistente. Na minha opinião, quando tiver terminado o ano e compararmos o quarto trimestre de 2019 com o de 2018, vamos ver que estamos em 1,6 e 1,7.  O que mostra que é perfeitamente possível que, no ano que vem, devemos estar com crescimento de 2 e 2,5. Ainda baixo, mas é maior do que o crescimento da população. Pela primeira vez, depois de muitos anos, vamos ter aumento da renda per capita", estima. 
O economista também avaliou que o governo Bolsonaro pode ser divivido em dois grupos: um deles com capacidade operacional, o que inclui Paulo Guedes; e outro ideológico, com preconceitos e ausência de conhecimento empírico.
"Concordo que o governo é dividido por grupo sombrio, que controla o coração do Palácio, e o grupo iluminado, esclarecido, que tem que realizar suas tarefas a despeito do grupo sombrio", disse.

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