Bahia precisa do isolamento social por mais, pelo menos, duas semanas, afirma Badaró


Segundo o médico, ainda não é o momento de finalizar a quarentena e retomar as atividades econômicas, como tem indicado a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alguns países

[Bahia precisa do isolamento social por mais, pelo menos, duas semanas, afirma Badaró]
Foto : Matheus Simoni/ Metropress
Por Kamille Martinho no dia 21 de Abril de 2020 ⋅ 
O médico infectologista, pesquisador chefe do Instituto de Tecnologia em Saúde (ITS) do Senai/ Cimatec, Roberto Badaró, defendeu hoje (21) durante entrevista à Rádio Metrópole, o isolamento social na Bahia por mais, pelo menos duas semanas. Segundo o médico, ainda não é o momento de finalizar a quarentena e retomar as atividades econômicas, como tem indicado a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alguns países.
"Itália, Espanha e outros países já começaram esse plano de retomada. Entretanto [o plano] requer uma série de atividades que a gente ainda não está fazendo. E o nosso momento é um momento diferente do que viveram e estão vivendo esses países", afirmou. "O nosso processo de retomada tem que ser de uma forma diferente e retardada, ainda, pelo menos 2 semanas".
Badaró explicou que, o isolamento baseia-se em seis pilares. São eles: se há uma prova científica de que a proliferação do vírus está controlado; se o sistema de saúde está capacitado para encontrar, isolar e tratar pessoas infectadas; se o risco de surto está controlado; se há medidas preventivas, como isolamento social ou material de higienização; se o controle da importação do vírus esta evidentemente controlado e por último, se a sociedade está plenamente educada e engajada para aderir às novas normas definidas.
"É um processo de aprendizado e estamos no meio dele. Saberemos se está, de fato, controlado, quando tivermos testes suficientes. Só poderemos relaxar quando houver uma parcela significativa da população com anticorpos, porque assim, as pessoas pertencentes ao grupo de risco estarão mais protegidas, já que não terão contato com a circulação do vírus", comentou Badaró.
O médico conclui afirmando que é preciso que o poder público esteja determinado a encontrar locais onde possam levar pessoas infectadas que não possuem condições de se isolar. "Como você vai recomendar o isolamento para alguém que mora com muitas pessoas em poucos metros quadrados? É como se estivéssemos zombando delas. O poder público tem que se envolver muito", concluiu.

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