Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade muito mais grave que o de Dilma, diz ex-procurador da Lava Jato


“O fato de querer tomar conhecimento, de forma irregular, de informações sigilosas de inquéritos que tramitam em outro poder, para tomar atitudes em relação a beneficiar seus filhos, me parece um crime de responsabilidade claro”, afirmou

[Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade muito mais grave que o de Dilma, diz ex-procurador da Lava Jato]
Foto : Luciano Calafiori/G1
Por Luciana Freire no dia 26 de Abril de 2020 ⋅ 10:30

O procurador da República aposentado, Carlos Fernando dos Santos Lima, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato entre 2014 e 2018, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade muito mais grave que o da ex-presidente Dilma Rousseff ao tentar interferir na Polícia Federal (PF). A declaração foi feita à entrevista do jornal O Globo publicada hoje (26).
“Crime de responsabilidade, não tenho dúvida. Muito mais grave do que os da Dilma. Mas o crime de responsabilidade é um conceito muito fluido, e de natureza política. O fato de querer tomar conhecimento, de forma irregular, de informações sigilosas de inquéritos que tramitam em outro poder, para tomar atitudes em relação a beneficiar seus filhos, me parece um crime de responsabilidade claro”, afirmou.
Para ele, a decisão de Moro de sair do governo foi correta.
“Eu já estava engasgado com Bolsonaro desde o episódio do Coaf, porque tenho uma consideração enorme pelo Roberto Leonel (ex-presidente do Coaf) e achei que a condução daquele episódio já mostrava que não havia um compromisso (do presidente) com o combate à corrupção. O compromisso ali era a proteção aos filhos, não é? O presidente apoiou a decisão do Toffoli (presidente do Supremo Tribunal Federal, que restringiu investigações do Coaf), totalmente equivocada, que depois o Supremo reverteu. A gota d’água foi a atuação dele neste episódio da quarentena (do coronavírus). Eu até entendo que exista uma disputa política, essa briguinha de playground, mas quando envolve vida humana não pode”, disse o procurador.

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