Santo Antônio de Jesus pretendia investiver R$ 4 milhões no São João deste ano com diversas atrações: ‘Para a cidade, prejuízo é incalculável’

Quatro cidades que não querem que o pessoal vá para lá no São João: Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim, todas com tradição fortíssima nos festejos juninos. Com pouco mais de 100 mil habitantes – o que a consolida como uma das maiores cidades do interior do estado,Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, também tem investido em uma comunicação que desestimule o turismo na cidade no período junino deste ano.
“O período é junino, mas a farra na roça terá que ser adiada. Em tempos de pandemia, visitar a zona rural coloca em risco a vida dos moradores e facilita a proliferação do vírus. Fique em casa! Seja responsável!”, diz um comunicado postado nas redes sociais do município. O outro é um recado direto à população: “Agora não é o momento de receber visitas e se aglomerar. Os seus visitantes podem estar contaminados sem saber e contaminar a sua família. Proteja-se!”
Em Santo Antônio de Jesus, o São João também é muito importante. O município se tornou famoso pelas atrações de música pop, que comandam a festa e que atraiam turistas de toda Bahia. Nesse período, porém, a pandemia vivida é tão preocupante que o amor à vida deve falar mais alto. No último boletim do município, divulgado na segunda (22), já eram mais de 260 casos e 6 mortes.
“Para a cidade, o prejuízo é incalculável. É imenso. O São João mexe demais com a economia local. O comércio chega a declarar que as vendas no período junino são mais fortes do que no Natal, por exemplo. Bares, restaurante e casas de shows não podem abrir agora. Temos um comitê que fiscaliza isso e todos estão cumprindo”, disse a secretária de cultura, Denilce Côrtes.
Em 2020, a prefeitura pretendia investir R$ 4 milhões na realização de 250 horas de shows de mais de 120 atrações musicais. Jorge e Mateus, Tayrone e Tierry era alguns dos nomes pensados para a festa, mas nenhum contrato chegou a ser efetivado, segundo Denilce.
Se os municípios pedem para que os turistas não os visitem esse ano, o jeito é obedecer – por mais difícil que seja. O publicitário Gabriel Falcão, 40 anos, está sofrendo. Desde os 17, ele viaja para o interior nesse período, alternando Santo Antônio de Jesus com Amargosa, Senhor do Bonfim e Cruz das Almas. Ele é tão apaixonado pelo São João que criou um site só para falar sobre o assunto, o São João na Bahia.
“Os festejos juninos no interior são diferentes dos da capital. Você não precisa de carro para nada, pois é tudo perto. O comportamento das pessoas é diferente. O clima da cidade é diferente. A experiência gastronômica é diferente. E quanto mais a cidade se afasta de Salvador, mais tradição junina ela tem”, lembra, Gabriel.
Mas esse ano, vai ser difícil ver essa tradição acontecer em qualquer lugar. “O arrasta-pé vai ser aqui em casa mesmo, cumprindo o isolamento social. Vou me dedicar a produzir conteúdo para o meu site”, disse. Se não fosse a pandemia, Amargosa era o destino certo do publicitário, mas o prefeito Júlio Pinheiro já afirmou que não quer turistas. Lá, foram registrados 24 casos confirmados e uma morte.
“Alerte a sua família e parentes que não venha nesse período de São João. Esse é um momento de preservar o nosso povo, mas também preservar as pessoas que possam estar vindo para Amargosa”, disse o prefeito à população. Localizada no Vale do Jiquiriçá, a cidade reforçou as medidas de combate à covid-19 no período junino.
“Eu já decretei suspensão de qualquer evento ou atividade de caráter cultural, religioso e político que promova algomeração. No São João, isso será mantido com uma fiscalização mais rigorosa da prefeitura”, disse Júlio Pinheiro. Entre as ações especiais, o aumento no termo de permanência de agentes nas barreiras sanitárias e a proibição de fogueiras ou qualquer tipo de aglomeração.
Em Cruz das Almas, essa fiscalização também está acontecendo e dando o que falar. No sábado (20), um carro com três pessoas saiu de Salvador e foi impedido de entrar na cidade, pois nenhum passageiro comprovou residência no município. De acordo com a prefeitura, os cidadãos ainda tentaram entrar a pé, mas foram novamente abordados pela Polícia Militar e levados para a delegacia local. A cidade já possui mais de 70 casos confirmados e uma morte.

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