Prefeito do Rio acumula 'guardiões' para impedir trabalho da imprensa durante plantões


Reportagem da Globo mostra esquema montado com funcionários públicos para atrapalhar reportagens e denúncias sobre problemas na saúde

[Prefeito do Rio acumula 'guardiões' para impedir trabalho da imprensa durante plantões]
Foto : Reprodução/TV Globo
Por Matheus Simoni no dia 01 de Setembro de 2020 ⋅metro1

Um esquema montado com funcionários públicos tem como objetivo promover um verdadeiro plantão na porta dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, atrapalhar reportagens e impedir que a população fale e denuncie problemas na área da Saúde. A informação foi revelada pela Rede Globo, em reportagem exibida no programa RJ2 ontem (31). O esquema contava com escalas diárias, horários rígidos e ameaças de demissão. Repórteres eram constrangidos toda vez que entrevistavam uma pessoa numa unidade municipal de saúde. Algum funcionário se aproximava e atrapalhava a reportagem.
Descobriu-se, então, servidores públicos estariam sendo pagos para vigiar a entrada, para constranger e ameaçar jornalistas e cidadãos que denunciam os problemas. Em duplas, eles tentam atrapalhar reportagens com denúncias sobre a situação da saúde pública e intimidar cidadãos para que não falem mal da prefeitura.
Entre os participantes de um dos grupos, um telefone chama a atenção. O número aparece registrado como sendo do próprio prefeito, Marcelo Crivella (PRB). O Jornal Nacional apurou que o prefeito já usou esse número. A equipe de reportagem ligou, mas ninguém atendeu. "O prefeito, ele acompanha no grupo os relatórios e tem vezes que ele escreve lá: ‘Parabéns! Isso aí!’", contou à TV Globo um dos participantes dos grupos.
Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) explica que "a notícia de fato será encaminhada para uma das promotorias de Justiça da Cidadania com atribuição para análise e possível adoção de medidas cabíveis".
Após a divulgação da existência do grupo pago para defender prefeito e impedir críticas na porta de hospitais, a bancada do PSOL na Câmara irá formalizar o pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella. O requerimento será assinado também pela direção do partido e pela deputada estadual Renata Souza, pré-candidata à prefeitura. A vereadora Teresa Bergher (Cidadania) vai apresentar um pedido para Câmara de Vereadores instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação dos funcionários da prefeitura.

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