Maragogipe: Após situação de emergência por conta das chuvas que atingiu a cidade, parte da população segue sem luz e calcula prejuízo: ‘Muito difícil’; veja

 Depois da forte chuva que atingiu a cidade de Maragojipe, no recôncavo baiano, e a prefeitura decretar situação de emergência no município, os moradores começam a calcular as perdas provocadas pela inundação. Pelo menos 28 famílias ficaram desalojadas e as aulas foram suspensas em colégios do município até a próxima quarta-feira (10).


Imóveis foram invadidos pela água e as pessoas relatam prejuízo. Maragojipe tem cerca de 45 mil habitantes e mais da metade das pessoas vivem na linha da pobreza ou abaixo dela. A intensidade da chuva diminuiu, mas áreas na cidade continuam sem energia elétrica desde a madrugada de domingo (7).

A Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) não detalhou se as regiões sem energia fazem parte da área urbana ou da zona rural, mas disse que as equipes trabalham “ininterruptamente” para normalizar a situação.


A empresa acrescentou que reforçou o efetivo em 158% em todo o estado para atender as demandas e reparar os danos provocados pela chuva nas cidades do interior baiano. Além de danos na rede de energia, a chuva provocou interrupção no fornecimento de água em Maragojipe.


O rio que corta a cidade transbordou e a força da água destruiu a linha de distribuição da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Com a inundação do rio, a praça no bairro Palmeiras ficou submersa.

Guarda-roupa é destruído na inundação de imóvel em Maragojipe, no recôncavo baiano — Foto: Reprodução/TV Bahia

O abastecimento também foi interrompido nas localidades de Nagé e Coqueiros. Com isso, imóveis estão sem abastecimento de água e a previsão dos técnicos é que o serviço seja retomado ainda na tarde desta segunda-feira.

A Defesa Civil do município informou que pelo menos 28 famílias precisaram deixar os imóveis. Uma ponta metálica, que estava em construção, foi destruída com a força da chuva. Outra, já em funcionamento, precisou ser quebrada para dar vazão à enxurrada e a água escoar.

A professora Sueli Borges mora com a filha de três anos e teve a casa invadida pela água da chuva. Ela perdeu TV, geladeira, guarda-roupa por causa da inundação e descreveu, chorosa, a situação vivida na madrugada chuvosa.

“Quando a gente viu as ondas entrando levando tudo, eu estava sozinha com ela [a filha]. A vizinha veio, me ajudou, tirou esse armário e colocou aqui em cima, mas tudo boiando. O pessoal da rua veio ajudar e pegou a geladeira, mas não conseguiu. É muito difícil porque a gente luta tanto para ter as coisas”, comentou.

Sueli disse que elevou o fogão com auxílio de blocos, mas a cozinha também focou alagada e equipamento ficou boiando na cozinha. O quarto da garota também foi inundado e teve móveis destruídos. “Tinha um rack aqui que desceu. O colchão estava todo ensopado e o berço flutuando. A lama está lá [entre as gavetas do guarda-roupa]”, disse a mulher.

Alagamentos e prejuízos

A forte chuva que atingiu Maragojipe provocou alagamento em vários pontos do município e invadiu casas de moradores. Não há registro de pessoas mortas nem feridas, e ainda não foram contabilizados os danos causados pela chuva nos distritos da cidade. Segundo o prefeito Valcínio Armede, prefeituras de cidades vizinhas enviaram pessoas para auxiliar os trabalhos no município.

Imagens feitas por moradores mostram agentes da prefeitura e pessoas da cidade quebrando parte da porta de imóveis para dar vazão à água no interior das casas. Outras, mostram pessoas caminhando em meio ao alagamento, com volume de água na na altura da coxa.

“A rua completamente alagada. Chuva que a gente nunca viu na nossa vida. Esse é o momento de estar unido, é uma situação difícil. Pode perder móveis, o que for, mas não perde a vida. Estamos firmes”, diz um dos homens.

A prefeitura informou que disponibilizou uma pensão no bairro Enseada para abrigar as famílias que tiveram as casas inundadas. Segundo o órgão, equipes da Defesa Civil e Assistência Social realizam triagem nas residências para apurar os danos causados pela chuva. G1