Psiquiatra Inaiah Muritiba sampaio fala sobre o que é um episódio psicótico?

 Apesar do tanto de mensagens que recebi sobre esse caso, até agora evitei falar sobre, porque acho que falar sobre é projetar mais mídia. Mas hoje, depois da fatídica entrevista ser veiculada, voltou a ser pauta de conversa em alguns grupos e resolvi trazer aqui.



Antes de tudo: vocês sabem o que é um episódio psicótico? É quando temos uma alteração do nosso juízo de realidade; há uma quebra com a realidade e a pessoa pode apresentar delírios (acredita em fatos que não são verdadeiros, mesmo que apresentemos provas da falta de realidade - pode acreditar que está sendo perseguido, que é enviado de Deus, que é o próprio Deus, que é CEO de uma grande empresa). Também são frequentes as alucinações auditivas, quando a pessoa escuta vozes - que podem ser xingando a pessoa, mandando fazer alguma coisa ou verdadeiros diálogos.


Alguns transtornos psiquiátricos podem cursar com sintomas psicóticos, dentre eles, esquizofrenia e episódio maníaco.


Na Mania, além dos delírios e alucinações, há um grande aumento de energia: a pessoa fica hipersexualizada, perde o filtro, pode ficar extremamente feliz ou agressiva, não tem tanta necessidade de sono, realmente acredita que tem missões, fica com o pensamento extremamente acelerado, na maioria das vezes não consegue distinguir o que é realidade e o que não é.


Dito isso, obviamente não posso afirmar o que se passou de fato uma vez que só acompanhei o caso de fora. Não sou a médica de nenhum dos envolvidos no caso. Mas na minha percepção, claramente um episódio psicótico estava em curso. E , ainda que não fosse o caso, é simplesmente inaceitável a exposição e a forma como a mídia e a população em geral têm feito piada sobre o assunto.


Eu gostaria de lembrar que a maioria dos transtornos psiquiátricos têm primeiro episódio até os 35 anos, então nada impede você ou eu de termos um episódio psicótico e sermos expostos da mesma forma. Ter nossa intimidade tão exposta e ridicularizada em um momento já tão frágil é prato cheio para agravamento do caso e, inclusive, levar ao suicídio. Mas vocês só vão querer falar sobre isso em setembro. Reproduçao Texto  e foto do instragam  da Psiquiatra   Inaiah Muritiba sampaio