Comandante do 14º BPM em S. A. de Jesus explica sua afirmação: "não é saudável ter uma PM negra, combater um irmão negro que escolheu o caminho errado”


21/08/2018 
Comandante do 14º BPM em S. A. de Jesus explica sua afirmação: "não é saudável ter uma PM negra, combater um irmão negro que escolheu o caminho errado”
O PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas), projeto realizado pelo 14º Batalhão de Polícia Militar em Santo Antônio de Jesus, formou mais 426 crianças e adolescentes no primeiro semestre de 2018. Em entrevista ao radialista Reginaldo Silva, o comandante do 14ª BPM, tenente-coronel Jader Martins, afirmou sobre a importância de influenciar estes jovens a serem cidadãos melhores. Além disto, comentou sobre a incidência de jovens negros que morrem devido ao envolvimento ao crime, “nos bairros, eu vou ter adolescentes e crianças que vão reconhecer o policial e até chama-lo pelo nome. Quando essas coisas acontecem é benéfico para a instituição e para o policial que sabe que ali onde ele vai fazer uma abordagem ou revista, tem uma criança ou adolescente que já compreende esta situação e é parceiro da Polícia Militar. O que a gente muitas vezes não sabe, é a procedência dos pais, dos amigos, tio, alguém que quem está perto interdependente de raça, cor, religião e história. Entretanto, temos que reafirmar que não é benéfico o confronto, não é benéfico ver pessoas morrendo, sendo que na maioria das vezes, as pessoas que morrem são negras. Se pegar uma estatística, nos vemos pretos e pobres morrendo, mas o tráfico de drogas não pode ser a saída para uma sociedade destas. ‘Vidas negras importam’, e a gente não está se importando com isso”, declarou.
De acordo com o comandante, é uma experiência extremamente pesada ter policiais negros combatendo homens negros que são aliciados a criminalidade, devido à falta de oportunidades para o negro e pobre, ocasionada pela descriminação racial, “não é saudável ter uma Polícia Militar negra, combater um irmão negro porque ele escolheu o caminho errado. Porque não damos perspectiva para outro caminho? Porque que a sociedade e os poderes públicos não oferecem oportunidades para conter o desemprego? Uma barriga não tem paciência, quando a fome chega, você tem que fazer alguma coisa. É uma política social muito pesada, que penaliza as camadas mais sofridas, por isto, precisamos oportunizar a educação, emprego, saúde. Daqui ha pouco, um rapaz que não tem emprego, recebe R$ 100 reais de um traficante para que ele leve um determinado pacote de um canto a outro. Precisamos entender isso e mudar, a sociedade tem que entender que existe um mundo real fora dos condomínios ou dentro do carro todo blindado. Vai ter uma hora que essa pessoa terá que abrir a porta e pisar no chão. A descriminação infelizmente gera violência”, concluiu.
Redação: Voz da Bahia