Ciro afirma ter sido ‘miseravelmente traído’ por Lula e acusa PT de eleger Bolsonaro


O ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), disse ter sido “miseravelmente traído” pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas ao partido em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.  O pedetista ainda acusou a sigla de eleger Jair Bolsonaro (PSL) e criticou a articulação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura. Ciro foi terceiro colocado na eleição presidencial.

“Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana. Pelo ex-presidente Lula e seus asseclas. Você imagina conseguir do PSB neutralidade trocando o governo de Pernambuco e de Minas? Em nome de que foi feito isso? [...] Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira”, atacou.

Ciro também considerou um insulto o convite do ex-presidente Lula para assumir o papel de seu vice no lugar de Fernando Haddad (PT). “[Não aceitei o convite] Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei”, disse segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.

O pedetista ainda reiterou que não quer mais fazer campanha para o PT e disse que Lula se corrompeu por estar cercado “de “bajulador” como Leonardo Boff, Gleisi Hoffman e Frei Betto. Ele ainda negou ter “lavado as mãos” quando decidiu sair do país após o primeiro turno e não declarar apoio explícito a Haddad.

“Não foi neutralidade. Quem declara o que eu declarei não está neutro. Agora, o que estava dizendo, por uma razão prática, não iria com eles se fossem vitoriosos, já estaria na oposição. Mas estava flagrante que já estava perdida a eleição”, disse. Na entrevista, também viajado para a Europa por “impotência”.

Ele também negou que vá sair da vida política, como disse que faria caso Bolsonaro fosse eleito, mas não confirmou se será candidato à Presidência em 2022. “Depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão”, declarou.