Mundo não avaliou muito bem a gravidade do coronavírus, diz Drauzio Varella

Em entrevista à Metrópole, cientista afirma que países não tiveram real dimensão da pandemia e não tomaram os cuidados necessários

[Mundo não avaliou muito bem a gravidade do coronavírus, diz Drauzio Varella]
Foto :Natali Hernandes/ agenciafoto.com.br
Por Matheus Simoni no dia 25 de Maio de 2020 ⋅ 
O médico Drauzio Varella, oncologista e um dos principais nomes da ciência do país, comentou os reflexos da pandemia de coronavírus na sociedade brasileira e afirmou que os números indicam o Brasil como epicentro da pandemia. Em entrevista a Mário Kertész hoje (25), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, avaliou que o mundo não deu a importância necessária para a gravidade da doença.
"As notícias que vinham da China quando a epidemia surgiu, no mês de dezembro, as notícias chegaram praticamente em janeiro. Eram notícias fragmentadas, a comunicação com a China não é fácil. A gente sempre tinha um pouco de dúvida a respeito da real gravidade do problema. Os dados vindos de lá não eram assustadores. Viemos conhecer mesmo a pandemia quando ela chegou na Itália. Lá pelo dia 10 de fevereiro, começamos a receber informes dos médicos, que relatavam o inferno que tinham se instalado nas UTIs no norte da Itália. O mundo não avaliou muito bem a gravidade", disse o médico.
"No dia em que o governo italiano instalou o isolamento social, naquele mesmo dia, as autoridades espanholas autorizaram uma marcha de comemoração do Dia da Mulher, que reuniu 200 mil pessoas pelas ruas de Madri. Despreparo total, estava acontecendo uma tragédia da Itália, ali do lado, e eles relaxados autorizando passeatas", acrescentou.
Dr. Drauzio ainda comentou o problema da polarização da epidemia no país e da discussão sobre o uso da hidroxicloroquina, medicamento apontado pelo governo brasileiro como útil no combate ao coronavírus. A substância, no entanto, não encontra comprovação e eficácia por parte das autoridades sanitárias do mundo.
"Não consigo entender como médicos apoiam esse tipo de negacionismo. Parte desse negacionismo vem pelo medo. Você tem uma tragédia acontecendo no país e você se nega a acreditar que essa tragédia é tão grave assim. Diz que vai passar, que tem gente que vai morrer mesmo. Você vê imagens de covas abertas com trator e diz que o pessoa exagera. A tendência é a politização da epidemia aqui no Brasil, que é o pior cenário que se pode estabelecer", comenta o especialista.
"Estamos numa situação hoje em que, se você votou no atual presidente da República, você é contra o isolamento e a favor da cloroquina. Se você não votou e não gosta do presidente, você é a favor do isolamento. Não tem cabimento uma coisa. Chegamos a politizar o uso de um medicamento. Que coisa mais insensata", acrescentou.

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