Condenado pelo STF, Moro vai debater o combate à corrupção no Brasil com FHC e Temer; iniciativa é do Grupo Parlatório

 Um grupo chamado Parlatório, que reúne grandes empresários e formadores de opinião no campo da direita, realizará neste domingo uma live para debater o combate à corrupção no Brasil. A estrela do evento será Sergio Moro, que na terça-feira desta semana foi declarado juiz parcial no caso em que condenou Lula pelo triplex do Guarujá, imóvel que nunca foi do ex-presidente, como decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo esta semana.


Por conta dessa condenação injusta, Lula permaneceu preso por 580 dias e foi impedido de disputar a eleição de 2018, em que provavelmente venceria, como mostravam as pesquisas da época. Sergio Moro terá a seu lado na mesa virtual Michel Temer, que se tornou símbolo da corrupção no Brasil e do movimento golpista que levou à deposição de Dilma Rousseff, de quem era vice.

Outra estrela do evento será Fernando Henrique Cardoso, o político mais protegido da velha imprensa brasileira, que na década de 90 atuou diretamente numa operação que buscou esconder na Europa a jornalista Miriam Dutra, que tinha sido repórter da TV Globo e tinha um filho cuja paternidade atribui ao ex-presidente tucano. Fernando Henrique enriqueceu na política — segundo Miriam, tem um apartamento em Paris avaliado em 15 milhões de euros, que está em nome de seu ex-aluno Jovelino Mineiro, marido de Maria do Carmo Abreu Sodré.

Tem também um apartamento no Trump Tower, em Nova York, e uma grande fazenda em Botucatu, no interior do Estado. Miriam também teve seu apartamento em Barcelona reformado por amigos de FHC, e recebeu durante mais de 20 anos salário da Globo praticamente sem trabalhar. Era um salário de 5 mil euros, em 2002 reduzido para 3 mil euros. A diferença foi complementada com salário de uma empresa concessionária do governo federal, a Brasif, operadora dos free shopping nos aeroportos.

Recebia mais de 2 mil dólares da Brasil também sem precisar prestar serviços. Esses três queridinhos da elite brasileira responderão a perguntas de empresários, numa live que é fechada. Só assistirá ao “encontro antológico” quem receber o link-convite. Também participarão do debate os ex-presidentes do STF Ayres Brito e Ellen Gracie, além do general Santos Cruz, um dissidente do bolsonarismo.

Os organizadores desse tal grupo Parlatório são os exemplos bem acabados daquilo que o sociólogo Jessé Souza chama de “elite do atraso”. É ela que se apresenta para tirar o Brasil do atoleiro, com Moro, Temer e FHC dando lições sobre como acabar com a corrupção no país. Se estivesse livre da cadeia, certamente Geddel Vieira Lima faria parte da mesa. Ou Eduardo Cunha. Mas a vez deles chegará, com certeza. A elite sabe recompensar aqueles que muito fizeram por ela. Nesse sentido, injusto Aécio Neves não ter sido convidado para a live. Afinal, “tem que manter isso, viu?” Brasil247Fotos Públicas