MP considera improcedente denuncia de desvio de vacina em Cruz das Almas e inocenta servidora





Vera da Saúde foi acusada injustamente pelo prefeito da cidade e seu genro, secretário de saúde


A técnica de Enfermagem do município de Cruz das Almas, Vera Assis, foi considerada inocente da acusação de desvio de vacina contra Covid. O Ministério Público da Bahia considerou improcedente a denúncia feita pelo prefeito da cidade, Ednaldo Ribeiro (Republicanos), e por seu genro, o Secretário de Saúde, Sandro Borges.

Na decisão, a 3a Promotoria de Justiça do MP de Cruz das Almas afirma que "em nenhuma hipótese é possível afirmar que a vacina foi desviada" e que a servidora não cometeu crime de impobridade administrativa e não violou os princípios da impessoalidade, legalidade, moralidade e eficiência que regem a administração pública.


"É possível afirmar que a vacina não foi desviada e que a vacina aplicada era imunizante da Hepatite B.

Não houve, portanto, por parte da servidora investigada, qualquer ato contrário à legislação para benefício de terceiros ou descumprimento de regras sanitárias, razão pela qual determino o ARQUIVAMENTO deste procedimento administrativo", enfatizou, na decisão, o promotor de justiça Adriano Marques.


Perseguição política


Filiada ao PT, Vera da Saúde, como é conhecida, é servidora efetiva do município há 26 anos e foi candidata a vereadora contra o grupo do atual prefeito. No dia 24 janeiro, no início da imunização no município, o prefeito e o secretário de saúde acusaram a servidora de desviar a vacina no Lar dos Idosos para aplicar o imunizante Coronavac em Tiago Oliveira dos Santos. Na época, a gestão municipal fez uso político e o caso ganhou forte repercussão na imprensa. A servidora viu sua honra e a presunção de inocência violadas. Exames, contudo, provaram que Tiago não não recebeu a vacina contra covid, mas sim contra hebatite B.


 "Exames demostraram que Tiago Oliveira dos Santos não estava imunizado pela vacina Coronavac e estava imunizado contra a hepatite B", afirmou o promotor de Justiça.


Vera Assis comemorou a decisão da Promotoria de Justiça. Ela recorda que, desde que foi acusada injustamente, há 7 meses, sua vida se transformou na busca incessante por justiça. O caso em Cruz das Almas foi considerado perseguição política. “Foram noites sem dormir, choro, depressão e tristeza por tal injustiça e acusação irresponsável”, afirmou Vera. "Hoje celebro, enfim, a justiça e busco reparação, reparação para minha honra, para minha imagem, pois está comprovado que sou inocente e fui vítima de perseguição política e de uma grande farsa, armada por quem não tem compromisso com a justiça e a verdade", concluiu Vera da Saúde.