Robyssão diz que evita música polêmica após 'perseguição' de Lei Antibaixaria


O cantor Robyssão fez questão de valorizar o "rebolado raiz" em seu mais novo clipe de trabalho com a canção “Toma Toma” (veja aqui). Espalhadas em uma famosa escadaria do musical bairro do Candeal, jovens mulheres de diferentes belezas têm as suas nádegas focalizadas para ver se, na real, elas aguentam fazer o “toma toma em câmera lenta”. 
O clipe, que até esta sexta-feira (29) alcançou mais de 200 mil visualizações, garantiu ao “pagofunkeiro” carioca-soteropolitano uma aprovação de 97% dos seus fãs e seguidores. Com 9,4 mil likes na plataforma do YouTube, a canção desagradou apenas 322 internautas até o momento.  
Essa realidade de aprovação, no entanto, não era a mesma no seu início de carreira. Em entrevista ao Bahia Notícias, Robyssão contou que recebeu muitas críticas, e que acredita que o povo não estava acostumado com um “novo” que “assusta”. “Naquele momento, abordar assuntos sobre sexualidade, abordar assuntos sobre sensualidade, sobre coisas inusitadas assustou um pouco. [...] Recebi muitas críticas, principalmente por parte de uma deputada que criou uma lei”, conta. 
A parlamentar que o cantor menciona é Luiza Maia (PT), deputada estadual entre os anos de 2011 e 2019, autora do projeto que culminou na chamada Lei Antibaixaria sancionada em 2012 pelo então governador Jaques Wagner (relembre aqui). A lei, que foi tratada com polêmica na época, visa impedir o financiamento público a shows de artistas que têm em seu repertório canções que ofendem as mulheres.  
“Tantos problemas que tem no Brasil, a deputada cria uma lei contra Robyssão. A lei foi especificamente para Robyssão, porque outros artistas já cantavam músicas polêmicas e continuaram recebendo ajuda do governo para fazer show. E Robyssão ficou um período sem poder fazer show com verba pública”, relembra.  
Uma das mais polêmica canções que inspirou Maia na criação do projeto foi a música “Me dá a Patinha”, que estourou nos bairros soteropolitanos quando o cantor era integrante do grupo Black Style.  
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias 
“Quando a deputada sabia que eu ia fazer um show no interior da Bahia e sabia que quem estava custeando era o prefeito, ela ligava: ‘tire ele da grade’. Se o prefeito não tirasse ia pagar uma multa alta. A perseguição foi contra Robyssão. Robyssão trabalhador, rapaz… A deputada com tantos problemas, vai criar uma lei para Robyssão”, lamenta o “pagofunkeiro”.  
Hoje em dia, o cantor se diz mais aliviado, ao contrário do período em que "era perseguido”. Ao lembrar da época que foi o auge de sua carreira, ele lamenta o quanto perdeu por ter sido "prejudicado" pela deputada: “Graças a Deus diminuiu. Hoje ela nem toca mais no meu nome. Naquela época foi difícil, estava no ápice do sucesso. No momento em que você está no ápice e você vai ganhar o seu dinheiro, aí vem a deputada e cria a lei para acabar com Robyssão”.  
Centro de toda a polêmica, a música “Me Dá a Patinha” menciona em sua letra uma mulher chamada Marcela. Questionado se a Marcela da canção existiu de verdade, ele explicou que era uma invenção, mas garantiu que as mulheres de mesmo nome aprovaram a canção.  
“As Marcelas gostaram. As mulheres na época dançavam, participavam de clipes e iam para os shows. Elas interpretaram aquilo como uma brincadeira. Não era algo ofensivo que queria depreciar, era uma brincadeira”, defende.  
Apesar de ser bem avaliado em seus trabalhos na internet, Robyssão acredita que “o público mudou muito” em comparação com o seu início de carreira. “O público hoje está um público chato, do politicamente correto. Devido a essas militâncias, as militantes colocaram na cabeça do público feminino que o que faz mal para elas é o teor de algumas músicas”, reclama. E argumenta: “Ninguém aborda o assunto que é muito relevante, como as mulheres que são molestadas nos coletivos, desrespeitadas pelos políticos. Colocaram na cabeça das mulheres que elas têm que se preocupar com letra de música, isso é bobagem”.  
Robyssão também se defende, explicando como ele enxerga o seu próprio trabalho. “No meu caso, eu me sinto um compositor humorista, que eu componho, mas com um teor não ofensivo e sim com brincadeiras, como se eu estivesse contando uma piada. Mas o público mudou e está muito exigente e, por causa dessa mudança, eu canto as minhas músicas com mais sutileza. Música polêmica eu estou evitando”, garante. 

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